Projeto - Chico
Buarque
"Esta
biografia foi escrita
pelo
meu aluno
Carlos
Eduardo Sakamoto"
(Thanks,
Carlos!)
"Nem toda loucura é genial, como nem toda lucidez
é velha."
Francisco Buarque
de Hollanda nascido a 19 de junho de 1944, no Rio de Janeiro
é hoje uma das figuras de maior expressão da
cultura cultura brasileira, principalmente da nossa língua,
da nossa música e da nossa poesia, não deixando,
porém, de ter presença significativa em outras
áreas, como o cinema e o teatro. Veio de uma família
muito rica culturalmente, filho do intelectual Sérgio
Buarque de Hollanda e Maria Amélia, pianista amadora.
Aos dois anos de idade se mudou com sua família para
São Paulo. O ambiente em sua casa era muito propício
à sua formação, pois artistas e intelectuais,
amigos da família, estavam sempre presentes, como Baden
Powell, Alaíde Costa, Vinicius de Moraes, entre outros
(inclusive, foi lá que Vinicius veio a conhecer seu
mais importante parceiro. Foi Chico Buarque quem apresentou
Toquinho, seu amigo, a Vinicius).
Desde criança,
já "brincava" de compor músicas, ensinando suas
irmãs, que o incentivavam, cantando suas músicas
(entre elas, Heloísa, hoje conhecida como Miúcha,
que foi quem começou a ensinar Chico a tocar violão).
Somente mais tarde é que começou a levar suas
composições "a sério".
Aos oito anos,
foi para a Itália com seu pai, onde cursou parte do
primário. De volta para o Brasil, fez o ginásio
e o científico (colegial) no Colégio Santa Cruz,
sempre marcando presença nas crônicas que escrevia
para o jornalzinho da escola e no futebol, uma de suas grandes
paixões até hoje, sendo constante tema de suas
músicas e crônicas. Inclusive, mantém
um campinho de futebol no Recreio dos Bandeirantes desde 1978,
onde tem um time chamado Politheama (do grego "muito
espetáculo"). Também marcava forte presença
nas rodas de samba, sempre muito bem acompanhadas de cachaça.
Foi ainda no Santa
Cruz que ele pisou pela primeira vez em um palco. Terminado
o científico, entrou na Faculdade de Arquitetura e
Urbanismo da USP, mas só chegou a cursar até
o terceiro ano.
A grande revolução
musical aconteceu para Chico Buarque quando João Gilberto
apareceu com seu novo estilo, lançando a Bossa Nova
com o disco Chega de Saudade em 1959.
"[...] me inspirei também em Dorival Caymmi, Ataulfo
Alves, Ismael Silva, Nélson Cavaquinho, Vinicius de
Moraes. Até a música francesa me inspirou, principalmente
quanto às letras. Agora, a coisa decisiva pra mim,
como compositor, foi o LP "Chega de Saudade", do João
Gilberto."
Com ainda quinze
anos disse que queria "cantar como João Gilberto,
fazer música como Tom Jobim e escrever letras como
Vinicius de Moraes".
Foi musicando os
versos de Morte e Vida Severina de João Cabral
de Mello Neto para o T.U.C.A. da USP que Chico apareceu definitivamente
no cenário musical brasileiro. Em 1965, Chico inscreveu
a composição Sonho de um Carnaval, defendida
por Geraldo Vandré, no festival promovido pela TV Excelsior
de São Paulo. Não ganhou prêmios, mas
tornou-se conhecido, passando a se apresentar semanalmente
nos shows do Teatro Paramount e, depois, no programa O
Fino da Bossa, comandado por Elis Regina. Finalmente,
lançou um compacto com Olê, Olá
e Madalena foi pro mar. Ambas sairiam também
num LP seu que incluía ainda Pedro Pedreiro,
que além de ser considerada um marco pelo autor ("a
descoberta de uma forma que não era minha"), inaugurava
seu filão de música de temática social,
onde Chico viria a ter um grande destaque. No ano seguinte,
no II Festival de MPB da TV Record, Chico concorreu com a
marcha A Banda, defendida por Nara Leão, e venceu
junto de Disparada, de Geraldo Vandré e Théo
de Barros (medida tomada para evitar um tumulto entre as torcidas
das duas músicas). Viria ainda a participar de muitos
outros festivais, muitas vezes obtendo sucesso, como foi o
caso da música Sabiá, que apesar de vencedora,
foi alvo de um julgameto precipitado da platéia, que
estava envolvida pelo clima de protesto de Pra Não
Dizer Que Não Falei das Flores, de Vandré.
Com 23 anos já
era ídolo, com um público diversificado, e com
título de Cidadão Paulistano. Segundo Milôr
Fernandes, "a única unanimidade nacional"
O Golpe Militar,
a Censura e o Exílio
Chega o Golpe
Militar de 1964, e seguido a ele, várias medidas de
censura e repressão, como o AI-5, de 1968. Em janeiro
de 1968, estréia a peça Roda Viva, de
Chico. Um texto violento, que ganhou expressão sob
a direção "revolucionária e desrespeitosa"
de José Celso Martinez Correia. Em São Paulo,
o teatro foi invadido pelo CCC (Comando de Caça aos
Comunistas), e os atores, espancados. Em Porto Alegre, os
atores foram seqüestrados por policiais. Seu nome já
fazia parte da lista de "visados" pelo regime, e teve que
prestar vários depoimentos, na polícia e no
exército. Nesse mesmo ano, Chico decide deixar o Brasil,
em um exílio voluntário, para desenvolver um
trabalho na Itália. Lá nasce a primeira das
suas três filhas.
De volta ao Brasil,
Chico se dedica a diversas atividades, como gravações
de discos, trilhas para filmes e até trabalhos como
ator. Tenta evitar ao máximo a censura, inclusive usando
pseudônimos, como Julinho da Adelaide (suposto autor
de Acorda Amor e Jorge Maravilha, músicas liberadas
pela censura, o que denota a perseguição à
pessoa de Chico Buarque, e não necessariamente às
suas músicas), recurso este, muito usado naquela época.
Este fato foi singularmente interessante, pois Chico chegou
a forjar uma entrevista publicada em jornal da suposta Adelaide,
com foto e tudo!!! Mais tarde a farsa seria descoberta.
Através da música Apesar de Você
Chico se torna um símbolo de resistência à
Ditadura. Essa música passou desapercebida pela censura,
devido a maestria de Chico, que fez com que o tema da música
parecesse, à primeira vista, falar sobre um suposto
amor que não deu certo. Quando a repressão percebeu
o deslize, as lojas e a gravadora tiveram seus estoques destruídos,
e a situação complicou mais ainda para Chico.
Veja algumas das mudanças as quais o poeta teve que
submeter suas músicas para poderem ser liberadas:
Na música
Partido Alto, "titica" ficou "coisica" e "brasileiro"
ficou "batuqueiro"
Na música
Atrás da Porta, "no teu peito" ficou "nos teus
pêlos"
A música
"Menino Jesus", acabou ficando com o nome "Minha
História"
A música
Ciranda da Bailarina ficou sem os "pentelhos"
Ana de Amsterdam
foi gravada sem letra, assim como Tanto Mar, que foi
gravada com letra somente em Portugal, e que mais tarde ganharia
uma nova letra
A música
Fado Tropical acabou ficando sem "sífilis"
Além de
muitas outras músicas covardemente censuradas.
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