Sexta-feira, 3 de Outubro de 2010
   
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 Chico Buarque
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Projeto - Chico Buarque


"Esta biografia foi escrita
pelo meu aluno
Carlos Eduardo Sakamoto"
(Thanks, Carlos!)

"Nem toda loucura é genial, como nem toda lucidez é velha."

        Francisco Buarque de Hollanda nascido a 19 de junho de 1944, no Rio de Janeiro é hoje uma das figuras de maior expressão da cultura cultura brasileira, principalmente da nossa língua, da nossa música e da nossa poesia, não deixando, porém, de ter presença significativa em outras áreas, como o cinema e o teatro. Veio de uma família muito rica culturalmente, filho do intelectual Sérgio Buarque de Hollanda e Maria Amélia, pianista amadora. Aos dois anos de idade se mudou com sua família para São Paulo. O ambiente em sua casa era muito propício à sua formação, pois artistas e intelectuais, amigos da família, estavam sempre presentes, como Baden Powell, Alaíde Costa, Vinicius de Moraes, entre outros (inclusive, foi lá que Vinicius veio a conhecer seu mais importante parceiro. Foi Chico Buarque quem apresentou Toquinho, seu amigo, a Vinicius).
        Desde criança, já "brincava" de compor músicas, ensinando suas irmãs, que o incentivavam, cantando suas músicas (entre elas, Heloísa, hoje conhecida como Miúcha, que foi quem começou a ensinar Chico a tocar violão). Somente mais tarde é que começou a levar suas composições "a sério".
        Aos oito anos, foi para a Itália com seu pai, onde cursou parte do primário. De volta para o Brasil, fez o ginásio e o científico (colegial) no Colégio Santa Cruz, sempre marcando presença nas crônicas que escrevia para o jornalzinho da escola e no futebol, uma de suas grandes paixões até hoje, sendo constante tema de suas músicas e crônicas. Inclusive, mantém um campinho de futebol no Recreio dos Bandeirantes desde 1978, onde tem um time chamado Politheama (do grego "muito espetáculo"). Também marcava forte presença nas rodas de samba, sempre muito bem acompanhadas de cachaça.
        Foi ainda no Santa Cruz que ele pisou pela primeira vez em um palco. Terminado o científico, entrou na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, mas só chegou a cursar até o terceiro ano.
        A grande revolução musical aconteceu para Chico Buarque quando João Gilberto apareceu com seu novo estilo, lançando a Bossa Nova com o disco Chega de Saudade em 1959.
"[...] me inspirei também em Dorival Caymmi, Ataulfo Alves, Ismael Silva, Nélson Cavaquinho, Vinicius de Moraes. Até a música francesa me inspirou, principalmente quanto às letras. Agora, a coisa decisiva pra mim, como compositor, foi o LP "Chega de Saudade", do João Gilberto."
        Com ainda quinze anos disse que queria "cantar como João Gilberto, fazer música como Tom Jobim e escrever letras como Vinicius de Moraes".
        Foi musicando os versos de Morte e Vida Severina de João Cabral de Mello Neto para o T.U.C.A. da USP que Chico apareceu definitivamente no cenário musical brasileiro. Em 1965, Chico inscreveu a composição Sonho de um Carnaval, defendida por Geraldo Vandré, no festival promovido pela TV Excelsior de São Paulo. Não ganhou prêmios, mas tornou-se conhecido, passando a se apresentar semanalmente nos shows do Teatro Paramount e, depois, no programa O Fino da Bossa, comandado por Elis Regina. Finalmente, lançou um compacto com Olê, Olá e Madalena foi pro mar. Ambas sairiam também num LP seu que incluía ainda Pedro Pedreiro, que além de ser considerada um marco pelo autor ("a descoberta de uma forma que não era minha"), inaugurava seu filão de música de temática social, onde Chico viria a ter um grande destaque. No ano seguinte, no II Festival de MPB da TV Record, Chico concorreu com a marcha A Banda, defendida por Nara Leão, e venceu junto de Disparada, de Geraldo Vandré e Théo de Barros (medida tomada para evitar um tumulto entre as torcidas das duas músicas). Viria ainda a participar de muitos outros festivais, muitas vezes obtendo sucesso, como foi o caso da música Sabiá, que apesar de vencedora, foi alvo de um julgameto precipitado da platéia, que estava envolvida pelo clima de protesto de Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores, de Vandré.
        Com 23 anos já era ídolo, com um público diversificado, e com título de Cidadão Paulistano. Segundo Milôr Fernandes, "a única unanimidade nacional"

O Golpe Militar, a Censura e o Exílio

        Chega o Golpe Militar de 1964, e seguido a ele, várias medidas de censura e repressão, como o AI-5, de 1968. Em janeiro de 1968, estréia a peça Roda Viva, de Chico. Um texto violento, que ganhou expressão sob a direção "revolucionária e desrespeitosa" de José Celso Martinez Correia. Em São Paulo, o teatro foi invadido pelo CCC (Comando de Caça aos Comunistas), e os atores, espancados. Em Porto Alegre, os atores foram seqüestrados por policiais. Seu nome já fazia parte da lista de "visados" pelo regime, e teve que prestar vários depoimentos, na polícia e no exército. Nesse mesmo ano, Chico decide deixar o Brasil, em um exílio voluntário, para desenvolver um trabalho na Itália. Lá nasce a primeira das suas três filhas.
        De volta ao Brasil, Chico se dedica a diversas atividades, como gravações de discos, trilhas para filmes e até trabalhos como ator. Tenta evitar ao máximo a censura, inclusive usando pseudônimos, como Julinho da Adelaide (suposto autor de Acorda Amor e Jorge Maravilha, músicas liberadas pela censura, o que denota a perseguição à pessoa de Chico Buarque, e não necessariamente às suas músicas), recurso este, muito usado naquela época. Este fato foi singularmente interessante, pois Chico chegou a forjar uma entrevista publicada em jornal da suposta Adelaide, com foto e tudo!!! Mais tarde a farsa seria descoberta.
Através da música Apesar de Você Chico se torna um símbolo de resistência à Ditadura. Essa música passou desapercebida pela censura, devido a maestria de Chico, que fez com que o tema da música parecesse, à primeira vista, falar sobre um suposto amor que não deu certo. Quando a repressão percebeu o deslize, as lojas e a gravadora tiveram seus estoques destruídos, e a situação complicou mais ainda para Chico. Veja algumas das mudanças as quais o poeta teve que submeter suas músicas para poderem ser liberadas:

        Na música Partido Alto, "titica" ficou "coisica" e "brasileiro" ficou "batuqueiro"
        Na música Atrás da Porta, "no teu peito" ficou "nos teus pêlos"
        A música "Menino Jesus", acabou ficando com o nome "Minha História"
        A música Ciranda da Bailarina ficou sem os "pentelhos"
        Ana de Amsterdam foi gravada sem letra, assim como Tanto Mar, que foi gravada com letra somente em Portugal, e que mais tarde ganharia uma nova letra
        A música Fado Tropical acabou ficando sem "sífilis"
        Além de muitas outras músicas covardemente censuradas.

 

 
 

Atualizado em 05-07-2007 - Qualquer dúvida, escreva prá mim! <>
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Nando Penteado
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