Quarta-feira, 7 de Fevereiro de 2009
   
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Legião Urbana


(Esta pequena biografia foi escrita por minha
aluna Gabriela Andrade da Silva,
Um beijão para você, Gabi)

        Sem dúvida, o elemento que mais se destacou na Legião Urbana foi Renato Russo, ou Renato Manfredini Júnior, nascido em 27/03/1960, no Rio de Janeiro. Aos 7 anos, foi morar nos Estados Unidos, onde aprendeu inglês, presente em várias composições. Já com 13 anos, voltou ao Brasil, indo morar em Brasília, cidade que muito marcou a sua música.
Em Brasília, com 18 anos, conheceu Felipe Lemos (Fê), com quem formou a banda "Aborto Elétrico". A banda contava com Renato Russo no baixo, Felipe Lemos (Fê) na bateria e André Pretourious na guitarra.
        O primeiro show do Aborto Elétrico foi em 1980, num barzinho chamado "Só Cana", em Brasília, cidade onde o grupo se formou. Logo após esse show, Pretourious deixou a banda, pois foi à África do Sul, servir ao exército de lá. Entrou, então, Flávio Lemos, irmão de Fê, assumindo o baixo, e Renato Russo pegou a guitarra. Nessa época foram escritas músicas como "Conexão Amazônica" e "Que País é Este", com a participação de André Pretourious, que veio ao Brasil passar as férias. Tais músicas foram gravadas posteriormente no álbum "Que País é Este" (3), em 1987. Em 1981, Ico Ouro Preto assumiu a guitarra, ficando Renato Russo apenas com o vocal.
        O Aborto Elétrico acabou em 1982, devido a desavenças entre Fê e Renato Russo, que culminaram com uma discussão a respeito da música "Química", cuja letra, de Renato Russo, foi severamente criticada por Fê.
        Com o fim do Aborto Elétrico, Renato Russo passou um tempo tocando sozinho, intitulando-se, nessa época, de "O Trovador Solitário". Nessa época tocava violão, abrindo shows de outras bandas locais e apresentando novas composições, como o "Faroeste Caboclo". Os outros membros do ex-grupo formaram nova banda, intitulada "Capital Inicial".
        Em 1983, Renato Russo formou, enfim, a Legião Urbana, contando com Marcelo Bonfá, Eduardo Paraná e Paulo Paulista, também em Brasília. Um ano depois, porém, os dois últimos deixaram a banda e entrou Dado Villa-Lobos, anteriormente da banda Dado e o Reino Animal. Mais tarde, juntou-se também à banda Renato Rocha, ficando a banda com a seguinte formação: Renato Russo no vocal, baixo e composições, Dado Villa-Lobos na guitarra e no baixo, Marcelo Bonfá na bateria e percussões e Renato Rocha no baixo. Tal formação durou até 1988, quando saiu Renato Rocha. Os outros permaneceram até o final da banda, em 1996, com a morte de Renato Russo.
        Com a formação definida, Legião Urbana passou a fazer vários shows em Brasília, tornando-se conhecidos após apresentações no Circo Voador.
        O grupo partiu então para o Rio de Janeiro, e com o auxílio da banda Paralamas do Sucesso, conseguiu assinar contrato com a gravadora EMI-Odeon, lançando seu primeiro disco: "Legião Urbana", em 1985. A aceitação foi boa, com destaque para as músicas "Geração Coca Cola", "Ainda é Cedo" e "Será", permitindo o lançamento do segundo disco, em 1986.
        Este álbum, intitulado "Dois", era para ser um álbum duplo e se chamar "Mitologia e Intuição", mas a gravadora não confiou na banda, fazendo um álbum simples. O Dois foi o disco mais vendido do Legião, ultrapassando a marca das 800 mil cópias, e emplacou com vários sucessos, como "Eduardo e Mônica", "Índios" e "Tempo Perdido".
        Na época da turnê do disco Dois já havia por parte de Renato um grande consumo de drogas e álcool.
        Em 1987, foi lançado o terceiro álbum, "Que País é Este", com várias músicas do Aborto Elétrico, e também algumas que eram para fazer parte do Mitologia e Intuição. Fez bastante sucesso, destacando-se as músicas "Faroeste Caboclo", "Eu Sei" e "Que País é Este". Renato Rocha deixou a banda logo após a turnê desse disco, e Renato Russo voltou ao baixo.
Em um show dessa turnê, ocorreu fato marcante para a banda: em junho de 83, numa apresentação no Mané Garrincha, houve um grave tumulto, devido à infra-estrutura insuficiente dada a um show desse porte. Foram jogadas bombinhas no palco, e um fã se agarrou no pescoço de Renato Russo. O resultado foi o índice de 383 atendimentos, um processo movido pelo governo do Distrito Federal e um grande quebra-quebra no estádio do Mané Garrincha. A partir daí, a banda nunca mais voltou a terra onde se formou.
        Em 1989, saiu o disco "As Quatro Estações", com letras maduras, abordando assuntos como o amor, a espiritualidade, e também a AIDS (Feedback Song for a Dying Friend) e o bissexualismo (Meninos e Meninas), assumido, um tempo depois, por Renato Russo em entrevista à revista Bizz. Este CD fez muito sucesso, tocou muito nas rádios, tendo vendagem apenas inferior ao "Dois". Destacam-se as músicas "Há Tempos", "Pais e Filhos", "Meninos e Meninas" e "Monte Castelo", esta última uma adaptação de trechos da Bíblia e de um poema de Camões.
        Muito debilitado fisicamente pelos excessos de drogas e álcool, nesta época Renato ia aos shows com um médico ao lado. Chegou a usar heroína durante um mês e meio, contraindo hepatite em 1990, quando quase morreu.
Em 1991, foi lançado o CD "V", com algumas músicas parecendo medievais, instrumentais. Segundo Renato Russo: "uma viagem". Nesse disco, Renato Russo se encontrava em profundo estado de depressão. Destacam-se "Metal Contra as Nuvens", "A Montanha Mágica", "O Teatro dos Vampiros" e "O Mundo Anda Tão Complicado".
        A turnê deste CD foi interrompida por problemas de depressão, drogas e álcool.
Em 1992, foi lançado o único álbum duplo da banda, "Música para Acampamentos", uma coletânea com material do Acústico da MTV (o primeiro acústico realizado pela MTV-Brasil), shows ao vivo e gravações realizadas entre 1985 e 1992.
        Em abril de 93, Renato Russo ingressou num grupo de auto-ajuda com o objetivo de parar de usar drogas, e passou a seguir a "Programação dos 12 passos". Em entrevista à Revista da Folha, em 9/10/94, ele disse: "No meu aniversário, (...) pensando no meu filho, em mim, vi que não podia continuar assim." O tratamento deu certo, e em 94, ele já não usava mais drogas e mantinha-se longe do alcoolismo.
        Também em 1994, foi lançado "O Descobrimento do Brasil", sobre o qual Renato Russo falou à MTV: "Ninguém reparou, mas esse disco fala de despedida do início ao final". O fato provavelmente se deve ao rompimento de Renato com seu parceiro americano. Neste disco, houve a introdução de novos instrumentos, como a cítara, o bandolim e o dobro. Destacam-se as músicas "Perfeição", "O Descobrimento do Brasil" e "Vamos Fazer um Filme".
        E em 1996, foi lançado o último disco da banda com Renato Russo vivo, "A Tempestade – ou O Livro dos Dias", que na verdade é um disco solo de Renato Russo com participações de Bonfá e Villa-Lobos. Este disco também era para ser duplo, mas a própria banda decidiu por fazê-lo simples, para não encarecê-lo. Como disse o próprio Renato Russo em entrevista ao jornal "O Estado de São Paulo", em 26/09/96, "para que não só o pessoal mais sofisticadinho comprasse o disco novo da banda". E também porque, devido ao já precário estado de saúde de Renato por causa da AIDS, e também devido aos trabalhos solo que por ele estavam sendo realizados, as gravações foram feitas de forma lenta, e a publicação teve de ser apressada por causa dos fãs impacientes, não havendo tempo de se fazer um álbum duplo. Inclusive algumas músicas saíram com a voz guia de Renato Russo, devido à falta de tempo. Deste CD destacaram-se "A Via Láctea" e "Dezesseis".
        Entre "O Descobrimento do Brasil" e "A Tempestade", Renato Russo gravou dois discos solo. O primeiro, "The Stonewall Celebration", com músicas em inglês, foi criado em homenagem ao seu ex-parceiro americano, e também em homenagem a um bar americano localizado na esquina da "Stonewall" com a "Cristopher Street", onde homossexuais, lutando contra a opressão e o preconceito, entraram em confronto com policiais. Boa parte do dinheiro das vendas desse CD foi doado à campanha de Betinho, a quem Renato Russo muito admirava. O segundo, "Equilíbrio Distante", foi gravado em italiano, em homenagem aos colonos que chegaram no Brasil, o que ocorreu inclusive com seus avós. O repertório foi escolhido por ele mesmo após uma viagem à Itália.
        Em 11 de agosto de 1996, Renato Russo faleceu de complicações da AIDS, com septicemia, broncopneumonia e infecção urinária, pesando apenas 45 Kg. Renato Russo já sabia ser portador do HIV desde 1990, mas o fato só foi revelado ao público após a sua morte.
Em 22 de outubro de 1996, Dado, Marcelo e o empresário Rafael Borges anunciam ao público o fim da Legião.
        Em 1997, após a morte de Renato Russo, Bonfá e Dado lançaram "Uma Outra Estação", com reunião do trabalho de toda a carreira da banda, reunindo por isso diferentes estilos.
Em 1998, a EMI-Odeon lança "Mais do Mesmo", uma coletânea com os maiores sucessos do Legião. No mesmo ano, foi lançado "O Último Solo", organizado por Dado, Bonfá e também por Renato Manfredini, pai de Renato Russo, com material de sobra dos dois álbuns solo de Renato.
Por fim, em outubro de 1999, lançou-se, a pedido dos fãs, o Acústico do Legião, que quando gravado não havia a intenção de lançamento em CD.
        Para o ano 2000, há projetos de se lançar novo CD, com material inédito, ainda existente.

 

 

 
 

Atualizado em 05-07-2007 - Qualquer dúvida, escreva prá mim! <>
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