Projeto
Legião Urbana
(Esta
pequena biografia foi escrita por minha
aluna
Gabriela Andrade da Silva,
Um
beijão para você, Gabi)
Sem dúvida, o elemento que mais se destacou na Legião
Urbana foi Renato Russo, ou Renato Manfredini Júnior,
nascido em 27/03/1960, no Rio de Janeiro. Aos 7 anos, foi
morar nos Estados Unidos, onde aprendeu inglês, presente
em várias composições. Já com
13 anos, voltou ao Brasil, indo morar em Brasília,
cidade que muito marcou a sua música.
Em Brasília, com 18 anos, conheceu
Felipe Lemos (Fê), com quem formou a banda "Aborto Elétrico".
A banda contava com Renato Russo no baixo, Felipe Lemos (Fê)
na bateria e André Pretourious na guitarra.
O primeiro show do Aborto Elétrico foi em 1980, num
barzinho chamado "Só Cana", em Brasília, cidade
onde o grupo se formou. Logo após esse show, Pretourious
deixou a banda, pois foi à África do Sul, servir
ao exército de lá. Entrou, então, Flávio
Lemos, irmão de Fê, assumindo o baixo, e Renato
Russo pegou a guitarra. Nessa época foram escritas
músicas como "Conexão Amazônica" e "Que
País é Este", com a participação
de André Pretourious, que veio ao Brasil passar as
férias. Tais músicas foram gravadas posteriormente
no álbum "Que País é Este" (3), em 1987.
Em 1981, Ico Ouro Preto assumiu a guitarra, ficando Renato
Russo apenas com o vocal.
O Aborto Elétrico acabou em 1982, devido a desavenças
entre Fê e Renato Russo, que culminaram com uma discussão
a respeito da música "Química", cuja letra,
de Renato Russo, foi severamente criticada por Fê.
Com o fim do Aborto Elétrico, Renato Russo passou um
tempo tocando sozinho, intitulando-se, nessa época,
de "O Trovador Solitário". Nessa época tocava
violão, abrindo shows de outras bandas locais e apresentando
novas composições, como o "Faroeste Caboclo".
Os outros membros do ex-grupo formaram nova banda, intitulada
"Capital Inicial".
Em 1983, Renato Russo formou, enfim, a Legião Urbana,
contando com Marcelo Bonfá, Eduardo Paraná e
Paulo Paulista, também em Brasília. Um ano depois,
porém, os dois últimos deixaram a banda e entrou
Dado Villa-Lobos, anteriormente da banda Dado e o Reino Animal.
Mais tarde, juntou-se também à banda Renato
Rocha, ficando a banda com a seguinte formação:
Renato Russo no vocal, baixo e composições,
Dado Villa-Lobos na guitarra e no baixo, Marcelo Bonfá
na bateria e percussões e Renato Rocha no baixo. Tal
formação durou até 1988, quando saiu
Renato Rocha. Os outros permaneceram até o final da
banda, em 1996, com a morte de Renato Russo.
Com a formação definida, Legião Urbana
passou a fazer vários shows em Brasília, tornando-se
conhecidos após apresentações no Circo
Voador.
O grupo partiu então para o Rio de Janeiro, e com o
auxílio da banda Paralamas do Sucesso, conseguiu assinar
contrato com a gravadora EMI-Odeon, lançando seu primeiro
disco: "Legião Urbana", em 1985. A aceitação
foi boa, com destaque para as músicas "Geração
Coca Cola", "Ainda é Cedo" e "Será", permitindo
o lançamento do segundo disco, em 1986.
Este álbum, intitulado "Dois", era para ser um álbum
duplo e se chamar "Mitologia e Intuição", mas
a gravadora não confiou na banda, fazendo um álbum
simples. O Dois foi o disco mais vendido do Legião,
ultrapassando a marca das 800 mil cópias, e emplacou
com vários sucessos, como "Eduardo e Mônica",
"Índios" e "Tempo Perdido".
Na época da turnê do disco Dois já havia
por parte de Renato um grande consumo de drogas e álcool.
Em 1987, foi lançado o terceiro álbum, "Que
País é Este", com várias músicas
do Aborto Elétrico, e também algumas que eram
para fazer parte do Mitologia e Intuição. Fez
bastante sucesso, destacando-se as músicas "Faroeste
Caboclo", "Eu Sei" e "Que País é Este". Renato
Rocha deixou a banda logo após a turnê desse
disco, e Renato Russo voltou ao baixo.
Em um show dessa turnê, ocorreu
fato marcante para a banda: em junho de 83, numa apresentação
no Mané Garrincha, houve um grave tumulto, devido à
infra-estrutura insuficiente dada a um show desse porte. Foram
jogadas bombinhas no palco, e um fã se agarrou no pescoço
de Renato Russo. O resultado foi o índice de 383 atendimentos,
um processo movido pelo governo do Distrito Federal e um grande
quebra-quebra no estádio do Mané Garrincha.
A partir daí, a banda nunca mais voltou a terra onde
se formou.
Em 1989, saiu o disco "As Quatro Estações",
com letras maduras, abordando assuntos como o amor, a espiritualidade,
e também a AIDS (Feedback Song for a Dying Friend)
e o bissexualismo (Meninos e Meninas), assumido, um tempo
depois, por Renato Russo em entrevista à revista Bizz.
Este CD fez muito sucesso, tocou muito nas rádios,
tendo vendagem apenas inferior ao "Dois". Destacam-se as músicas
"Há Tempos", "Pais e Filhos", "Meninos e Meninas" e
"Monte Castelo", esta última uma adaptação
de trechos da Bíblia e de um poema de Camões.
Muito debilitado fisicamente pelos excessos de drogas e álcool,
nesta época Renato ia aos shows com um médico
ao lado. Chegou a usar heroína durante um mês
e meio, contraindo hepatite em 1990, quando quase morreu.
Em 1991, foi lançado o CD "V",
com algumas músicas parecendo medievais, instrumentais.
Segundo Renato Russo: "uma viagem". Nesse disco, Renato Russo
se encontrava em profundo estado de depressão. Destacam-se
"Metal Contra as Nuvens", "A Montanha Mágica", "O Teatro
dos Vampiros" e "O Mundo Anda Tão Complicado".
A turnê deste CD foi interrompida por problemas de depressão,
drogas e álcool.
Em 1992, foi lançado o único
álbum duplo da banda, "Música para Acampamentos",
uma coletânea com material do Acústico da MTV
(o primeiro acústico realizado pela MTV-Brasil), shows
ao vivo e gravações realizadas entre 1985 e
1992.
Em abril de 93, Renato Russo ingressou num grupo de auto-ajuda
com o objetivo de parar de usar drogas, e passou a seguir
a "Programação dos 12 passos". Em entrevista
à Revista da Folha, em 9/10/94, ele disse: "No meu
aniversário, (...) pensando no meu filho, em mim, vi
que não podia continuar assim." O tratamento deu certo,
e em 94, ele já não usava mais drogas e mantinha-se
longe do alcoolismo.
Também em 1994, foi lançado "O Descobrimento
do Brasil", sobre o qual Renato Russo falou à MTV:
"Ninguém reparou, mas esse disco fala de despedida
do início ao final". O fato provavelmente se deve ao
rompimento de Renato com seu parceiro americano. Neste disco,
houve a introdução de novos instrumentos, como
a cítara, o bandolim e o dobro. Destacam-se as músicas
"Perfeição", "O Descobrimento do Brasil" e "Vamos
Fazer um Filme".
E em 1996, foi lançado o último disco da banda
com Renato Russo vivo, "A Tempestade – ou O Livro dos Dias",
que na verdade é um disco solo de Renato Russo com
participações de Bonfá e Villa-Lobos.
Este disco também era para ser duplo, mas a própria
banda decidiu por fazê-lo simples, para não encarecê-lo.
Como disse o próprio Renato Russo em entrevista ao
jornal "O Estado de São Paulo", em 26/09/96, "para
que não só o pessoal mais sofisticadinho comprasse
o disco novo da banda". E também porque, devido ao
já precário estado de saúde de Renato
por causa da AIDS, e também devido aos trabalhos solo
que por ele estavam sendo realizados, as gravações
foram feitas de forma lenta, e a publicação
teve de ser apressada por causa dos fãs impacientes,
não havendo tempo de se fazer um álbum duplo.
Inclusive algumas músicas saíram com a voz guia
de Renato Russo, devido à falta de tempo. Deste CD
destacaram-se "A Via Láctea" e "Dezesseis".
Entre "O Descobrimento do Brasil" e "A Tempestade", Renato
Russo gravou dois discos solo. O primeiro, "The Stonewall
Celebration", com músicas em inglês, foi criado
em homenagem ao seu ex-parceiro americano, e também
em homenagem a um bar americano localizado na esquina da "Stonewall"
com a "Cristopher Street", onde homossexuais, lutando contra
a opressão e o preconceito, entraram em confronto com
policiais. Boa parte do dinheiro das vendas desse CD foi doado
à campanha de Betinho, a quem Renato Russo muito admirava.
O segundo, "Equilíbrio Distante", foi gravado em italiano,
em homenagem aos colonos que chegaram no Brasil, o que ocorreu
inclusive com seus avós. O repertório foi escolhido
por ele mesmo após uma viagem à Itália.
Em 11 de agosto de 1996, Renato Russo faleceu de complicações
da AIDS, com septicemia, broncopneumonia e infecção
urinária, pesando apenas 45 Kg. Renato Russo já
sabia ser portador do HIV desde 1990, mas o fato só
foi revelado ao público após a sua morte.
Em 22 de outubro de 1996, Dado, Marcelo
e o empresário Rafael Borges anunciam ao público
o fim da Legião.
Em 1997, após a morte de Renato Russo, Bonfá
e Dado lançaram "Uma Outra Estação",
com reunião do trabalho de toda a carreira da banda,
reunindo por isso diferentes estilos.
Em 1998, a EMI-Odeon lança "Mais
do Mesmo", uma coletânea com os maiores sucessos do
Legião. No mesmo ano, foi lançado "O Último
Solo", organizado por Dado, Bonfá e também por
Renato Manfredini, pai de Renato Russo, com material de sobra
dos dois álbuns solo de Renato.
Por fim, em outubro de 1999, lançou-se,
a pedido dos fãs, o Acústico do Legião,
que quando gravado não havia a intenção
de lançamento em CD.
Para o ano 2000, há projetos de se lançar novo
CD, com material inédito, ainda existente.
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